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Direitos Humanos e o Meio Ambiente

Se nem os direitos do homem são cumpridos como determina a regra, o que dizer dos do meio ambiente, cujas riquezas são sempre ignoradas?

Todo dia, quando ando na rua, atravessando sinais, praças e calçadas, é muitíssimo comum ver uma população de jovens desasistidos chafurdando cola em latinhas ou sacos, onde sempre encontraram a lavagem do vício que anestesia a realidade e perverte o futuro deles e de todos nós.

Assim eles ficam o tempo que for necessário. Assim eles ficam toda uma vida que é, infelizmente, cada vez mais exígua.

Enquanto isso, determinados "profissionais da vida pública" fazem de seus cargos e mandatos uma peste sem fim; praticamente uma dinastia sem descendentes.

Já testemunhei menores na faixa de oito anos sufocarem os seus momentos infortunados nesta maldição urbana que cada vez mais vem cariando o sorriso da Cidade Maravilhosa, cujo hálito pestilento é habilmente mantido por um vil contingente de políticos repulsivos e de uma administração digna deles.

A população..., lamentavelmente, ainda não acordou; de certa maneira, também está entorpecida igual aos nossos meninos de rua, sem diretrizes ou opções de ação para mostrar a sua indignação e revolta contra toda esta situação de sedição política.

Leiam o depoimento do Biólogo Sidney Grippi que vem a seguir. Em um trecho, com muita propriedade, ele diz:

"A qualidade de vida do homem depende da qualidade e estabilidade do ambiente onde ele vive, trabalha e retém o seu sustento".

Esta geração perdida - os obscuros incriados da urbe - são educados sem pai nem mãe, ou qualquer família, na chocadeira do banditismo, o mesmo que produziu o horrendo seqüestro do ônibus 174, e que teve um desfecho trágico no Rio de Janeiro.

De nada adiantará preservarmos micos, baleias ou palmitos se não recompormos o real significado de palavras como SOLIDARIEDADE, COOPERAÇÃO, COMPAIXÃO; pois a espécie que mais precisa de ajuda e justiça no mundo é a própria raça humana: a única que, conscientemente, devasta o meio ambiente, proporcionando todos os meios para pôr em risco toda a vida na biosfera.



O Lixo Nosso de Cada Dia

O lixo brasileiro é considerado um dos mais ricos do mundo e sua reciclagem é fortemente sustentada pela catação informal.

O planeta atingiu este ano a marca de seis bilhões de pessoas. E esse enorme contingente humano terá que procurar sobrevivência em um mundo em que a deterioração do meio ambiente é um fato presente e uma realidade dolorosa. A degradação da condição humana é constatada, sobretudo, nas grandes cidades.

Estará o homem do terceiro milênio, da era da modernidade, preparado para o desafio de resolver os desequilíbrios ambientais e assegurar uma qualidade mínima de vida? Estará ele capacitado para realizar tarefas aparentemente simples como a de dar destinação adequada ao lixo produzido por todos os cantos do mundo?

A administração do lixo já é hoje uma das grandes preocupações na organização urbana. As instituições e entidades ambientalistas têm divulgado números astronômicos sobre o assunto. De acordo com os dados mais freqüentemente utilizados, só nos Estados Unidos, cada pessoa gera dois quilos de lixo por dia, alcançando um total anual de 190 trilhões de qui-los. No Brasil, cada pessoa gera, em média, um quilo de lixo por dia Por ano, são produzidos 55 trilhões de quilos.

O lixo brasileiro é tido como um dos mais ricos do mundo. Mas, para Heliana Katia Campos, secretária-executiva do Fórum Nacional Lixo e Cidadania, da Unicef não está sendo dada a devida importância às questões relativas ao saneamento ambiental, em especial à coleta e destinação adequada dos resíduos. Ela alerta para o fato de que o descarte aleatório dos resíduos em nascentes, córregos, margens de rios e estradas, além de provocar problemas ambientais graves e poluir as águas, que muitas vezes são captadas para consumo, atrai para estes locais um exército de desempregados e famintos, que sobrevivem à custa da cata de resíduos para a sua alimentação e para comercialização. Katia ressalta ainda que o problema da catação de lixo por seres humanos é "regra geral", de norte a sul do país, tanto em cidades de pequeno porte como nas grandes capitais. "É uma situação constrangedora e inaceitável, fruto da miséria, do desemprego e da busca desesperada pela sobrevivência".

O programa da Unicef preconiza a necessidade de uma intervenção social voltada ao resgate da cidadania dos trabalhadores que vivem em condições de absoluta pobreza, "sobrevivendo das sobras e dos desperdícios dos mais afortunados". Como alternativa à catação nos lixões, o Lixo e Cidadania procura incentivar a coleta seletiva, com a participação das famílias dos catadores, propiciando a geração de postos de trabalho e renda para as mesmas.

Reciclagem

A reciclagem no Brasil é fortemente sustentada pelos garimpeiros do lixo (catação informal). Os programas criados pelo poder púbico, muitas vezes em parecia com os catadores, também têm se difundido. Entre os principais méritos da reciclagem estão o de reduzir o volume de lixo de difícil degradação, o de contribuir para a economia de recursos naturais, ode prolongar a vida útil dos aterros sanitários, o de diminuir a poluição do solo, da água e do ar e o de evitar o desperdício, contribuindo para a preservação do meio ambiente. Trata-se de um processo de transformação de materiais para reaproveitamento na indústria e na agricultura.

São basicamente dois os modelos de programas de reciclagem implantados em municípios brasileiros: coleta seletiva de lixo e usinas de reciclagem. Há muitos exemplos de cidades em que a reciclagem já atingiu um estágio avançado, com resultados importantes. Curitiba (PR), com o programa "Lixo que não é lixo", implantado há 10 anos, representa com louvor essas experiências bem sucedidas. Mas, de acordo com o levantamento da Unicef sobre a destinação final do lixo no Brasil, constata-se uma precária situação na maioria dos municípios: 88% deles não possuem conselho de meio ambiente, tido como principal instrumento de controle dos problemas ambientais. Apenas 34% das cidades têm um órgão ambiental especifico, em 25% são outras instâncias que respondem pela área ambiental e em 41% não há qualquer órgão responsável pela gestão ambiental.

Origem: http://www.compam.com.br/artigos.htm